Resumo rápido
- A carta de recomendação é o relato de quem conviveu com a pessoa, no trabalho, num aluguel ou em sala de aula, contando o que ela fez.
- Nenhuma lei regula a carta. O valor dela vem de ser específica: período, função, fatos, números e um contato para confirmar.
- Serve para processo seletivo, para alugar um imóvel novo e para bolsa, estágio ou pós-graduação.
- Quem assina é quem recomenda, com nome, cargo ou relação com o recomendado e, de preferência, telefone ou e-mail.

O que torna a carta útil
- Quem recomenda e de onde conhece a pessoa: nome, cargo ou relação (gerente direto, proprietária do imóvel, professor da disciplina) e empresa ou instituição.
- O período da convivência, com mês e ano quando possível.
- A função, o imóvel ou o curso: o que a pessoa fazia, onde morou ou o que estudou com você.
- Fatos concretos: um projeto, um resultado, um número. "Reduziu as diferenças de estoque de 6% para menos de 1%" diz mais que "muito competente".
- Uma ou duas qualidades ligadas aos fatos. Sem exagero.
- Contato para quem quiser confirmar, e a assinatura.
A carta não tem forma exigida por lei. Não precisa de firma reconhecida nem de testemunhas. Uma página basta; quem lê procura os fatos e o contato.
Como preencher, assinar e entregar
- Aceite só se puder contar fatos
Se a convivência foi curta ou distante, diga não. Uma carta genérica pesa pouco e ainda leva o seu nome.
- Peça um resumo ao recomendado
Datas, cargo, projetos, números, o nome do processo seletivo ou do imóvel pretendido. Com isso, você escreve em minutos e sem errar data.
- Preencha o tipo, o período e os fatos
Profissional, inquilino ou acadêmica. No campo "O que a pessoa fez", conte duas ou três coisas concretas, com número quando houver.
- Revise o que não deve estar lá
Nada de saúde, religião, estado civil ou filhos. Confira seu telefone ou e-mail: é por ele que quem lê vai confirmar.
- Baixe e assine
Baixe em PDF e assine à mão, depois digitalize, ou assine direto pelo gov.br (veja como assinar documento pelo gov.br).
- Entregue do jeito que o processo pede
Na maioria dos casos, a carta vai para o recomendado, que a anexa ao currículo ou à ficha do imóvel. Alguns processos seletivos e programas de pós-graduação pedem que o recomendante envie direto; siga a instrução deles.
- Guarde uma cópia
Você pode receber uma ligação meses depois. Com a cópia à mão, confirma o que escreveu sem depender da memória.
Frase vaga × frase com fato
A diferença entre uma carta que ajuda e uma que ninguém lê até o fim está nas frases. Troque o adjetivo pelo que você viu acontecer:
| Em vez de | Escreva algo como |
|---|---|
| "Profissional muito competente e dedicada." | "Em 2024, liderou a troca do sistema de estoque e reduziu as diferenças de inventário de 6% para menos de 1%." |
| "Ótimo relacionamento com a equipe." | "Treinou os quatro assistentes que entraram no setor em 2023 e passou a cobrir a supervisão nas minhas férias." |
| "Inquilino exemplar." | "Morou no apartamento de março de 2022 a agosto de 2025, pagou os 42 aluguéis em dia e devolveu o imóvel sem reparos a fazer." |
| "Aluna brilhante." | "Foi monitora da disciplina por dois semestres e apresentou o trabalho final no congresso de iniciação científica da faculdade." |
| "Recomendo sem ressalvas." | "Eu contrataria de novo para a mesma função. Estou à disposição no telefone abaixo." |
Uma estrutura em quatro parágrafos cobre quase todo caso. No primeiro, quem você é e de onde conhece a pessoa, com o período. No segundo, o que ela fazia. No terceiro, dois ou três fatos. No último, a recomendação e o contato. O gerador monta o texto nessa sequência: abertura, fatos, qualidades, se você repetiria a experiência e o contato.
O que não escrever
Deixe de fora dados pessoais que não têm a ver com o trabalho, o aluguel ou os estudos: saúde, religião, origem étnica, vida sexual, opinião política, filiação a sindicato. A LGPD chama isso de dado sensível, e numa carta que circula entre empresas ele só pode prejudicar. Estado civil, filhos e idade também não interessam.
Evite promessas ("garanto que…") e comparações com outras pessoas. Se não conviveu o bastante para contar fatos, é melhor dizer não do que escrever uma carta genérica.
Carta para inquilino
Quem vai alugar quer saber de três coisas: se o inquilino pagou em dia, se cuidou do imóvel e se deu problema com vizinhos. O gerador tem opções prontas para as duas primeiras e o campo de fatos para o resto. Diga o imóvel e o período. Os recibos de aluguel em dia reforçam a carta, e o próximo locador pode pedi-los junto com o contrato de locação novo.
Profissional e acadêmica
Na carta profissional, conte o cargo e o que a pessoa entregou. Se ela está saindo da empresa, o momento de pedir é logo depois da carta de demissão, enquanto o trabalho ainda está fresco na memória de quem vai escrever. O guia como pedir demissão mostra o momento certo de cada conversa na saída. Na acadêmica, o professor fala da disciplina, dos trabalhos e da participação em pesquisa ou monitoria.
Se é você quem está pedindo a carta, facilite a vida de quem vai escrever: mande um resumo com as datas, os projetos e os números que você lembra. A carta sai mais rápida e mais precisa, e quem assina só confere e ajusta.
Na busca de emprego, a carta funciona como reforço do currículo, não como substituta. Cite no currículo quem pode dar referência e leve a carta para a entrevista ou anexe na candidatura quando o anúncio pedir. O guia como fazer um currículo mostra onde as referências entram e como alinhar as datas dos dois documentos.
Exemplo preenchido
Erros comuns
- Encher a carta de adjetivos ("excelente", "exemplar", "a melhor que já vi") sem nenhum fato. Quem lê desconta o elogio vazio.
- Não dizer o período. Três meses e cinco anos de convivência pesam diferente.
- Incluir dados pessoais que não interessam: saúde, religião, estado civil, gravidez, filhos. Não ajuda na recomendação e pode prejudicar a pessoa.
- Prometer o futuro, como "garanto que nunca vai atrasar o aluguel". Conte o que aconteceu; quem lê tira a conclusão.
- Assinar em nome da empresa sem autorização. Se a empresa tem política própria de referências, escreva como pessoa ("trabalhei com…") ou peça ao RH uma declaração de trabalho.
Modelo em branco
Para quem prefere preencher à mão. Os campos saem como linhas em branco.
Perguntas frequentes
Quem pode escrever uma carta de recomendação?
Qualquer pessoa que conviveu com o recomendado e pode contar fatos: ex-chefe, colega, cliente, o dono do imóvel onde ele morou, um professor ou orientador. Carta de parente tem pouco peso, porque quem lê espera uma opinião independente.
Precisa reconhecer firma?
Não. Assinatura simples basta, à mão ou pelo gov.br. Um telefone ou e-mail para contato vale mais que firma, porque quem lê pode ligar e confirmar.
Qual a diferença entre carta de recomendação e declaração de trabalho?
A declaração de trabalho é emitida pela empresa e confirma dados do vínculo, como cargo, data de admissão e salário. A carta de recomendação é a opinião de uma pessoa sobre o trabalho de alguém, com fatos que ela viu.
Um ex-inquilino pediu uma carta. O que escrevo?
O que o próximo locador quer saber: se pagou em dia, se cuidou do imóvel, se houve problema com vizinhos ou com o condomínio e se você alugaria de novo. Diga o imóvel e o período. Não precisa informar o valor do aluguel.
Posso escrever a carta para o meu chefe só assinar?
É comum, e o gerador ajuda nisso. Mas quem assina precisa concordar com cada frase, porque a carta fala em nome dele e pode ser conferida por telefone.
O que um professor deve contar numa carta acadêmica?
Em que disciplina ou projeto conviveu com o aluno, por quanto tempo, trabalhos que se destacaram e participação em pesquisa, monitoria ou extensão. Programas de pós-graduação costumam ter formulário próprio de recomendação; confira o edital antes.
Por que o gerador pergunta se é "ele" ou "ela"?
Só para acertar palavras como "minha aluna" ou "meu aluno" e "inquilina" ou "inquilino". O resto do texto usa o nome da pessoa.
Posso enviar a carta por e-mail?
Pode. Baixe em PDF, assine à mão e digitalize ou assine pelo gov.br, e envie. Em processo seletivo, a carta costuma ir junto com o currículo.
A empresa é obrigada a dar carta de recomendação?
Não. Nenhuma lei obriga. O que o empregador tem de fazer é anotar o contrato na carteira de trabalho (CLT, art. 29). A carta depende da vontade de quem assina. Para comprovar o vínculo, peça uma declaração de trabalho.
Posso recusar um pedido de carta?
Pode, e às vezes é o melhor para os dois. Se você não conviveu o bastante para contar fatos, diga isso com gentileza e sugira alguém que acompanhou o trabalho de perto.
Guias sobre o assunto
Trabalho e carreira Como fazer um currículo que chama para a entrevista Seção por seção, com exemplos de objetivo, resumo e experiência.
Trabalho e carreira Como pedir demissão: aviso prévio, rescisão e o que você recebe Carta, aviso prévio, prazo de pagamento e verbas da rescisão. Documentos relacionados
Fontes
- Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), art. 5º, II (dado sensível) · planalto.gov.br
- CLT (Decreto-Lei 5.452/1943), art. 29 · planalto.gov.br
- Assinatura eletrônica gov.br · gov.br
Última revisão: 26 de setembro de 2026 · como montamos os modelos