Como fazer um currículo que chama para a entrevista
O que escrever em cada parte do currículo, com exemplos bons e ruins de objetivo, resumo e experiência, o que deixar de fora e como ajustar o arquivo para cada vaga.

Em 1 minuto
- Um currículo tem seis partes, nesta ordem: cabeçalho com contato, resumo (ou objetivo), experiência, formação, cursos e idiomas, habilidades.
- Na experiência, troque a lista de tarefas por verbo de ação e resultado: "reduzi o prazo de entrega de 5 para 3 dias" diz mais que "responsável pela logística".
- Sem experiência? Entram estágio, jovem aprendiz, voluntariado, bico, projeto da escola e cursos livres. O modelo primeiro emprego põe formação e objetivo no topo.
- Fica de fora: CPF, RG, foto, idade, estado civil, filhos, religião e pretensão salarial que ninguém pediu. A Lei 9.029/1995 proíbe discriminação no acesso ao emprego.
- Uma página, em PDF, com nome de arquivo claro (curriculo-nome-sobrenome.pdf). E um ajuste no resumo e nas habilidades para cada vaga.
Para fazer um currículo, junte seis blocos em uma página: seus contatos, um resumo de quem você é profissionalmente, as experiências da mais recente para a mais antiga, a formação, os cursos e idiomas e as habilidades que a vaga pede. Cada bloco responde a uma pergunta de quem seleciona: dá para falar com essa pessoa, o que ela já fez, o que ela sabe e se isso serve para a vaga.
Quem lê o currículo passa poucos segundos na primeira leitura. Por isso a ordem importa e cada linha precisa dizer algo concreto. Abaixo está o que escrever em cada parte, com exemplos, e o que deixar de fora.
O que colocar no currículo, seção por seção
A tabela resume o conteúdo de cada parte. Os exemplos são de uma assistente administrativa fictícia, Carla Mendes, de Curitiba.
| Seção | O que escrever | Exemplo |
|---|---|---|
| Cabeçalho | Nome, cargo que você busca, cidade/UF, telefone com WhatsApp, e-mail | Carla Mendes · Assistente administrativa · Curitiba/PR · (41) 9 9999-0000 · carla.mendes@email.com |
| Resumo ou objetivo | 3 a 5 linhas: o que você faz, há quanto tempo e em que é boa. No primeiro emprego, uma linha de objetivo | Assistente administrativa com 4 anos em contas a pagar e atendimento a fornecedores |
| Experiência | Cargo, empresa, mês/ano de entrada e saída, 2 a 4 linhas com verbo de ação e resultado | Organizei o arquivo de 1.200 notas fiscais em pastas digitais por fornecedor |
| Formação | Curso, instituição, situação (concluído, cursando com previsão, incompleto) | Tecnólogo em Gestão Financeira, UTFPR, cursando, conclusão prevista em 2027 |
| Cursos | Só os que têm a ver com a vaga, com instituição e carga horária ou ano | Excel intermediário, Senac, 40 h, 2025 |
| Idiomas | Idioma e nível real: básico, intermediário, avançado, fluente | Inglês intermediário: leio e escrevo e-mails, conversa com apoio |
| Habilidades | Ferramentas e conhecimentos que a vaga cita, em itens curtos | Excel (PROCV, tabela dinâmica) · ERP Totvs · conciliação bancária |
| Informações adicionais | Disponibilidade, CNH, aceita viajar ou mudar de cidade | CNH B · disponibilidade para início imediato |
No cabeçalho, o e-mail precisa ser sério: nome e sobrenome, sem apelido. O telefone é o que você atende de verdade; se ele é também seu WhatsApp, diga. Cidade e UF bastam. Rua, número e CEP ficam para a ficha de admissão. Um cargo logo abaixo do nome ("Assistente administrativa", "Auxiliar de logística") já diz para que vaga você se candidata.
Objetivo no currículo: quando usar e como escrever
O objetivo é uma linha que diz a vaga ou a área que você quer. Ele faz sentido em três casos: primeiro emprego, mudança de área e currículo entregue em mãos, sem anúncio específico. Quem já tem experiência na área costuma render mais com um resumo profissional, que mostra o que você já fez.
O erro mais comum é escrever um objetivo que serve para qualquer pessoa e qualquer vaga. Compare:
| Evite | Prefira |
|---|---|
| Busco uma oportunidade de crescimento em uma empresa sólida onde possa aplicar meus conhecimentos. | Vaga de auxiliar administrativo, com interesse em rotinas de contas a pagar e emissão de notas. |
| Atuar na área de vendas. | Vendedora de loja de calçados ou roupas, atendimento no salão e no caixa. |
| Primeiro emprego em qualquer área. | Jovem aprendiz ou atendente, com disponibilidade no período da tarde. |
O objetivo bom é específico: cargo ou área, e um detalhe que ajuda a encaixar você (turno, tipo de loja, setor). Se você vai mandar para vagas diferentes, mude essa linha a cada envio.
Resumo profissional: 3 a 5 linhas que valem o currículo inteiro
O resumo é a primeira coisa que a pessoa lê depois do seu nome. Ele responde três perguntas: o que você faz, há quanto tempo e em que você se destaca. Adjetivo sem prova não conta; qualquer um pode escrever "proativo, dinâmico e comunicativo".
Para escrever o seu, faça uma frase para cada pergunta e junte. Use o mesmo cargo do anúncio quando ele for o seu cargo de fato. Se você tem uma conquista com número, ela vai aqui. Quem está no primeiro emprego pode contar o que estuda e o que já fez fora da escola: "Estudante do 3º ano do ensino médio, com curso de informática básica e experiência como voluntário na organização de eventos da igreja do bairro".
Experiência profissional: verbos de ação e resultado com número
Liste as experiências da mais recente para a mais antiga. Em cada uma: cargo, empresa, cidade (se for diferente da sua) e o período em mês e ano, como "mar/2022 – atual". Embaixo, duas a quatro linhas sobre o que você fazia.
A diferença entre uma experiência fraca e uma forte está no verbo e no resultado. "Responsável por", "auxiliar em" e "participação em" descrevem o cargo, não você. Comece a linha por um verbo no passado que diz o que você fez e, sempre que der, feche com um número.
| Tarefa genérica | Verbo de ação e resultado |
|---|---|
| Responsável pelo atendimento ao cliente. | Atendi em média 60 clientes por dia no balcão e no WhatsApp da loja. |
| Auxiliar no controle de estoque. | Fiz a contagem mensal de 800 itens e reduzi as diferenças de inventário de 4% para 1%. |
| Atividades administrativas em geral. | Emiti 150 notas fiscais por mês e organizei o arquivo de contratos em pastas digitais. |
| Participação em vendas. | Bati a meta de vendas em 9 dos 12 meses de 2025. |
| Treinamento de novos funcionários. | Treinei 6 novos atendentes no sistema de caixa e no padrão de atendimento. |
Verbos que funcionam bem: organizei, implantei, reduzi, aumentei, atendi, negociei, treinei, emiti, conferi, controlei, criei, resolvi, coordenei. Números que quase todo mundo tem: quantas pessoas atendia por dia, quantos pedidos, quantas notas, qual o tamanho da equipe, quanto tempo levava antes e depois de uma mudança sua.
Não invente números. Se não sabe o valor exato, use uma média que você consiga explicar na entrevista ("cerca de 40 pedidos por dia"). Número falso aparece na primeira pergunta de quem entende do assunto.
Quantas experiências colocar? As dos últimos 10 anos costumam bastar. Empregos muito antigos ou sem relação com a vaga podem virar uma linha só, ou sair. Se você teve vários trabalhos curtos na mesma função, agrupe: "Garçom em eventos, 2022 – 2024, para três buffets de Curitiba".
Mudando de área? Puxe para a frente o que a experiência antiga tem em comum com a nova vaga. Uma caixa de supermercado que quer ir para o administrativo pode destacar fechamento de caixa, conferência de valores e relatório diário; um motorista que quer trabalhar em logística, roteiro de entregas e controle de notas. As tarefas que não têm ligação nenhuma com a vaga nova ficam em uma linha curta ou saem.
Promoção dentro da mesma empresa merece aparecer. Em vez de repetir a empresa duas vezes, escreva o nome dela uma vez e os cargos embaixo, cada um com seu período: "Auxiliar de estoque, jan/2021 – jun/2023" e "Líder de estoque, jul/2023 – atual". Quem lê entende na hora que você cresceu ali.
Formação, cursos, idiomas e habilidades
Formação. Coloque a mais alta primeiro. Se você tem faculdade, o ensino médio pode sair. Curso em andamento entra como "cursando", com o ano previsto de conclusão; curso trancado entra como "incompleto". Não precisa de nota nem de média, a não ser em vaga de estágio que peça.
Cursos. Só os que têm relação com a vaga. Três cursos certos valem mais que quinze soltos. Escreva nome, instituição e carga horária ou ano: "Atendimento ao cliente, Sebrae, 20 h, 2025". Cursos gratuitos on-line contam; o que importa é o assunto.
Idiomas. Use níveis honestos. Um jeito prático de decidir:
- Básico: entende frases simples e lê textos curtos com ajuda.
- Intermediário: lê e escreve e-mails de trabalho, conversa com alguma dificuldade.
- Avançado: conversa em reunião, lê documentos técnicos, escreve com poucos erros.
- Fluente: trabalha no idioma o dia inteiro sem esforço.
Se a vaga pede o idioma, a entrevista pode ser nele. Colocar "avançado" e travar na primeira pergunta tira sua credibilidade no resto do currículo.
Habilidades. Liste ferramentas e conhecimentos concretos, de preferência com as mesmas palavras do anúncio: "Excel (PROCV, tabela dinâmica)", "emissão de NF-e", "empilhadeira", "atendimento pelo WhatsApp Business". Qualidades pessoais, como pontualidade e trabalho em equipe, convencem mais quando aparecem nos exemplos da experiência do que em uma lista.
Currículo sem experiência: o que colocar no primeiro emprego
Quem nunca teve carteira assinada tem mais para mostrar do que imagina. A seção de experiência vira "Atividades e experiências" e aceita qualquer coisa que mostre responsabilidade e compromisso:
- estágio, programa jovem aprendiz, monitoria na escola;
- trabalho voluntário em ONG, igreja, associação de bairro, evento da escola;
- bico em festa, feira, buffet ou temporada de fim de ano;
- ajuda no comércio da família (caixa, atendimento, estoque);
- projetos da escola ou do curso técnico: uma feira de ciências, um site, um evento organizado pela turma.
Escreva essas atividades do mesmo jeito que uma experiência formal: o que fez, por quanto tempo e, se der, um número. "Voluntária na campanha do agasalho da escola, 2025: organizei a triagem de 400 peças com mais quatro colegas" mostra organização melhor do que o adjetivo.
Cursos pesam muito nessa fase. Informática básica, pacote Office, atendimento ao cliente, rotinas administrativas: muitos são gratuitos e aparecem como diferencial para vagas de entrada. A CLT, aliás, proíbe o empregador de exigir mais de 6 meses de experiência na mesma atividade para contratar (art. 442-A), o que ajuda quem está começando.
O que não colocar no currículo
Vários dados que aparecem em modelos antigos não ajudam na seleção e ainda expõem você. Deixe de fora:
- CPF, RG, PIS e número da carteira de trabalho. São pedidos na contratação, para o registro. No currículo, circulam por e-mail e grupos de mensagem sem controle.
- Foto. Só quando o anúncio pede, e mesmo assim a escolha não pode ser pela aparência.
- Idade ou data de nascimento, estado civil, número de filhos. Não dizem nada sobre o seu trabalho e abrem espaço para discriminação.
- Religião, partido, saúde, gravidez. São dados sensíveis pela LGPD e não têm lugar em processo seletivo.
- Pretensão salarial, se a vaga não pediu. Informar antes da hora pode tirar você de uma vaga que pagaria mais, ou de uma em que o valor seria negociável. Quando pedirem, dê uma faixa baseada em anúncios parecidos.
- Motivo de saída dos empregos, salário anterior e referências pessoais. Assuntos para a entrevista, se perguntarem.
Não colocar esses dados não é esconder nada. É dar a quem seleciona só o que interessa para decidir: o que você fez e o que sabe fazer.
Tamanho, PDF ou Word e nome do arquivo
Uma página resolve para quase todo mundo. Duas, no máximo, para quem tem muitos anos de carreira na mesma área. Se passou de uma página, corte primeiro os empregos antigos, os cursos sem relação com a vaga e as linhas que repetem a mesma tarefa com outras palavras.
Envie em PDF, a não ser que a vaga peça Word. O PDF abre igual no celular e no computador e ninguém altera sem querer. Guarde o Word com você para editar a cada vaga, ou para agências que pedem o arquivo editável.
Nome do arquivo: "curriculo-carla-mendes.pdf" em vez de "curriculo final (2) atualizado.pdf". Quem recebe dezenas de arquivos acha o seu na pasta sem abrir.
Sistemas de triagem. Muitas empresas recebem os currículos por plataformas que leem o arquivo e montam uma ficha com seus dados. Ninguém consegue garantir como cada sistema filtra, mas alguns cuidados ajudam o programa a ler certo: texto selecionável (não uma foto do currículo), uma coluna só, títulos de seção comuns ("Experiência profissional", "Formação") e datas no mesmo formato em todo o documento. Texto dentro de imagem, ícone no lugar de palavra e tabela complicada são os pontos em que a leitura costuma falhar.
Se você for mandar pelo WhatsApp, envie o PDF como documento, não como imagem, e escreva na mensagem para qual vaga é. Um link de WhatsApp com mensagem pronta facilita se a empresa pedir contato por lá.
Como adaptar o currículo para cada vaga e revisar antes de enviar
O mesmo arquivo mandado para todas as vagas é um dos motivos mais comuns de silêncio depois do envio. Adaptar não é reescrever: são quatro ou cinco ajustes de dez minutos.
- Leia o anúncio e marque as palavras-chave
Cargo, ferramentas, conhecimentos e requisitos. Se o anúncio fala em "conciliação bancária" e você faz isso, use essas palavras, não um sinônimo.
- Ajuste o cargo e o resumo
O cargo embaixo do seu nome e a primeira frase do resumo devem conversar com a vaga. Uma conquista que tenha a ver com o anúncio sobe para o resumo.
- Reordene experiências e habilidades
Dentro de cada emprego, a linha mais ligada à vaga vai primeiro. Nas habilidades, as que o anúncio pede vêm antes.
- Corte o que não serve para esta vaga
Curso de outra área, experiência antiga sem relação: se o currículo passou de uma página, é isso que sai.
- Revise em voz alta
Leia tudo em voz alta, devagar. Erro de português, data trocada e telefone com um dígito a menos aparecem assim. Se puder, peça para outra pessoa ler.
- Confira o arquivo final
Abra o PDF no celular, veja se cabe em uma página e se o nome do arquivo está certo. Ligue para o seu número se tiver qualquer dúvida sobre ele.
Guarde uma versão base completa, com todas as experiências e cursos, e faça uma cópia para cada vaga. No gerador, o Word baixado serve como essa versão base.
Depois da entrevista vêm outros papéis. Na admissão, confira o que entra no contrato de trabalho e como funciona o contrato de experiência de até 90 dias. Se você vai trocar de emprego, veja como pedir demissão e use o modelo de carta de pedido de demissão para formalizar a saída.
Perguntas frequentes
Currículo precisa de objetivo?
Não é obrigatório. O objetivo ajuda quem está começando ou mudando de área, porque diz em uma linha que vaga você quer. Quem já tem experiência na área costuma trocar o objetivo por um resumo profissional de 3 a 5 linhas, que diz mais.
Posso usar um modelo com duas colunas, ícones e barras de nível?
Pode, mas há risco. Barras de "80% em Excel" não dizem nada concreto, e alguns sistemas de triagem leem mal colunas, tabelas e texto dentro de imagem. Um currículo de uma coluna, com títulos comuns ("Experiência", "Formação"), é lido do mesmo jeito por pessoas e por programas.
Coloco o LinkedIn no currículo?
Se o perfil estiver atualizado e bate com o currículo, sim: cargo, datas e empresas iguais. Use o endereço curto que o LinkedIn permite personalizar. Perfil abandonado, com o último emprego de três anos atrás, atrapalha mais do que ajuda.
Devo explicar por que saí de cada emprego?
Não no currículo. O motivo da saída aparece na entrevista, se perguntarem. Responda curto e sem falar mal da empresa anterior. Se você está saindo agora, veja como pedir demissão sem perder direitos.
O que fazer com um período longo sem trabalhar?
Não precisa esconder nem inventar. Se nesse tempo você estudou, cuidou de alguém da família, fez trabalhos por conta ou abriu um negócio, isso pode entrar em uma linha. Na entrevista, explique em duas frases e volte a falar do que você sabe fazer.
Trabalho informal ou como autônomo entra como experiência?
Entra. Escreva o que você fazia, desde quando e para que tipo de cliente: "Manicure autônoma, 2023 – atual: atendimento de 25 clientes fixas por semana, agenda e cobrança pelo WhatsApp". Carteira assinada não é condição para contar como experiência.
Precisa colocar referências?
Não na folha. "Referências disponíveis se solicitadas" também é dispensável, porque ocupa espaço sem informar nada. Se a vaga pedir, mande nome, cargo e telefone de quem aceitou ser contatado. Uma carta de recomendação de um ex-chefe pode ir junto.
Carta de apresentação ainda é usada?
Em algumas vagas, sim, principalmente quando o anúncio pede ou quando você manda o currículo por e-mail. Três parágrafos curtos bastam: que vaga você quer, por que você serve para ela (com um exemplo) e como falar com você. No corpo do e-mail funciona bem.
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- Lei 9.029/1995, art. 1º (práticas discriminatórias no acesso ao trabalho) · planalto.gov.br
- CLT (Decreto-Lei 5.452/1943), arts. 373-A e 442-A · planalto.gov.br
- Lei 13.709/2018 (LGPD), arts. 5º, II, e 6º, III · planalto.gov.br
Publicado em 27 de setembro de 2026. Última revisão: 27 de setembro de 2026 · como escrevemos. Conteúdo informativo; não substitui orientação de advogado ou contador no caso concreto.